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O avesso do espelho…

 

 

Basta querer eu alguma coisa pra que morra por ela mesmo,
Assim o respeito que tenho por todos, pior que por mim próprio,
O estranho é que, na classificação que me dou, baixa e “fascia”,
Não me caibo, nem me basto de afirmar pra ser respeitado,
Sou suspeito da dupla significação no que digo, penso e faço,

Dispenso qualidades alheias, sobrevivo do instinto como se fosse
Eu uma industria de criação própria, pouco original e o mercado
De interesse fútil, decorativo painel de “moiral”, moral opinativo
A duas dimensões, para parecer ser escabrosamente humano,
De compleição estéril, assim o respeito que tenho por outros,

Simplesmente porque o sol se põe a leste e não a oeste dos
Ombros desses, meses sem conta, sem autenticidade e enquanto
Os pulmões virados de latitude ao norte, os rins apontam,
Tal qual a minha atitude perante Deuses que desconhecem
Pelo cheiro a natureza das flores e a dor dos opinados ciprestes

Altivos. A respeito das sensações próximas, pouco há a dizer,
A não ser o que falhou, loucura seria afirmar-me como a metade
De cá do destino, pois se morrerei como tenho desde sempre
Vivido, sem respeito por mim próprio e muito menos pelo
Próximo. A Ode Triunfal é um mito longe do Arco do Triunfo,

Assim como o crucifixo não é símbolo apropriado num ateu,
A propósito de proficiências mágicas e alquimias sulfúreas
Complexas, subterrâneas galerias onde tudo se paga em metal,
Basta querer na ruína e na morte pra que haja submundo,
Não se aplica a sombra ao vazio, nem se explica o vazio,

Ainda assim respeito a urgência e a insurgência senão
Como velcros da ilusão na mudança, odeio as maiorias e as
Fórmulas hierárquicas monogâmicas erigidas num padrão,
Respeito a emoção se for natural e não em função do estilo,
Digo o que penso e o riso é uma possibilidade lúdica ela mesmo,

Antes que morra e a espontaneidade em mim afunde, como
Um prego e a variedade de sentir, a mecânica do espirito
O desassossego místico, necessidade vital e suprema de dor,
A aceitação sem submissão, sentindo como bafo no espelho
Do que estou falando, o que estou dizendo e o avesso …

Jorge Santos 02/2020
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O Amor é uma nação em risco,

Em Viena “bailaré” contigo … e os cisnes,

Sinto no amor uma sensação de risco,
Amarelo mosto, decadência e outros mornos
Sentidos, são mero desconforto, descoloridos
Como qualquer outro ante a incrédula dor.

Em Viena “bailaré” contigo, de novo
Às dez para o meio-dia em ponto e antes
Que venha a noite, a velha noite de viés,
Olhar atrevido desafiando o dia, este

Ainda embrião mas com todos os sonhos,
Simpatias e insultos que dentro, no rosto visto.
O Amor é uma nação e do risco, os estrategas
Dos sítios que o digam no “frente-a-frente”

Ao vivo, num “Reality Show” colorido,
Cor do desgaste e de outros detalhes
Irreais por excesso, por exemplo, nos cristais,
A nitidez da claridade conforta os sentidos

Dos mais cépticos, todos os outros estão
Em perigo, propícios aos estranhos esteiros
De alma, estrábicos desejos de nação, videntes
Postiços quanto palha molhada queimando

Lenta, apagada, morrão. Sinto na chuva
O chorar de uma carpideira melancólica,
O som da chuva é o êxtase, abafo,
O tapete da Pérsia, a minha consciência

De Eslavo sitiado, em “Braile” bailarei a valsa
Da meia noite nos píncaros da Catedral
Mais alta na “Cidade dos Signos-Sentados”.
(Sendo quem não tem direito de o fazer)

Jorge Santos 01/2020
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A Morte não é Bem-Vinda …

 

 

A morte não é como a vida,
Mas o sentimento fluído, vívido
Em que nos sonhamos vivos e
Esquecemos o porquê de não

Existirmos de fora da ilusão
De estar vivos, vivendo mortos
Resta-nos sobretudo o talento de
Sonhar o quotidiano e o banal,

-O sonho de ser inquilino de uma
Pequena livraria na rua da indiferença,
O ultraje geral na vida que conheço,
É o ignorar repetidamente ou questionar

A derrota, por ordinária
Que seja na morte o afinal,
Ou esclarecido em vida
O soror da dor perene,

Invicta, imortal, poética,
Bem-vinda e com odor a perfeição.
A morte não é bem-vinda,
Emoção é o que ficou descrito

Como coisa passageira, imortal
A esperança, semi-completa
Verdade que nos conforta e descansa
Da tarefa que é estar vivo.

Matéria é presença e a negação
Da fé por oposição estética
À consciência do pensamento
Como tarefa física, grandeza

Da condição de ser humano,
Dividido entre o que me rodeia
E a vontade de renunciar à mecânica
Das sensações mentidas,

-O sonho de ser inquilino de uma
Pequena livraria de esquina,
Incompetente eu, por nunca ter sido
Senão sonho de quem se sonha vivo…

Jorge Santos 01/2020
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A síndrome de Savanah

A síndrome de Savanah

Se falasse, crítica, enfática e demoradamente com o meu anfitrião e Alter-Ego, diria como diz Chico Buarque, “O meu caro amigo me perdoe, por favor”, pois sinto que não lhe faço uma visita tão afável quanto as que este me concede, mas não é, nem são práticas comuns a mim, nem a cortesia gratificada nem a indelicadeza gratuita, pedante e desgovernada, é preciso compreensão, pois que, qualquer criança, mesmo de recente idade e começo na fase anal já possui um ego alterado, se é que me faço entender por escrito, tal o meu promíscuo complexo de inferioridade.

Meu caro e dilecto amigo, se é que o posso afirmar sem receios, eu bem tento ser convincente nas inquietas afirmações que produzo, mas também te afirmo, afianço que, revoltas nuvens e aos magotes, nem são sinal de tempestade perdurável, nem a acção de uma toalha no ringue é o sinal melodramático para abrir fogo ou um espaço entre gotas de chuva enviesada e grossa. São tudo citações artificiais e exteriores a mim que proponho, assim como a pele sintética de comparação a parafina no toque dum manequim de modo a ser mais humano pelo menos na aparência daquilo que projecta à luz da montra de uma superfície comercial, se é que me faço semanticamente entender.

Quando a pradaria está insuportavelmente deserta abro a janela na esperança do “absolutamente tranquilo” dê ordens ao barulho longínquo da pistola para que quebre o silêncio de ”morte estabelecida por decreto”, a síndrome da savana cria-se a si própria e é de uma inspiração criativa ímpar, quando nos damos conta entra-nos pelos sentidos e potencia-nos quase religiosamente a criar tal como um caprichoso, maduro e super-produtivo Picasso da Mongólia Interior, esquecei Crime e Castigo e Dostoievski .

Meu caro amigo, me perdoe a demora, mas analisando retrospectivamente a atmosfera pouco romântica do nosso passado pouco comum, teimo em concluir que um casamento demasiado, juvenil, precipitado e a consumação do matrimónio à pressa num motel de estrada não calha nada bem para ambos os cônjuges, sendo vantajosa uma união sadia e ponderada, tardia e talvez menos intensa e fogosa, mas imensamente mais séria e quiçá até ao fim da existência de ambos, e é essa a minha suprema ambição conjugal. Enfim, acho que pegaste a essência, certo?

Uma direcção, um foco, a escrita sinestésica e estética como criação optimizada, artística e sem o defeito dos esteróides do meu altEr-EgO,” O-duplO-Eu”, melhor que Eu, sem pressões, este toca bateria e guitarra numa banda alternativa tailandesa de “Post-Rock”, dialoga em mandarim com ledores e editores sem os magoar nas feridas sanguíneas, nas megas feiras do livro, ele sim, é um ser fascinante, ao contrário de mim, o fracassado, o parente absolutamente tranquilo, o lobo habitante das estepes, onde não se passa totalmente nada, apenas quando me ultrapassa um galgo no pó do caminho, quando tento por gestos me aproximar gago, do espelho e estabelecer um diálogo, ou dando ordens aos barulhos longínquos de pistoleiros disparando ao acaso para os ares ou uns contra os outros, como preferis ou for mais romântico e não o mais parcimonioso.

Então aqui vai o cardápio em germânico, do evento gesticulado ou o menu da ceia para os próximos cento e tal anos de solidão contigo, em que nenhum vento será favorável à nossa imortalidade de gregos, “génios” nem gritam pelos nossos nomes ou consolo, as velas, nem nos estandartes, candelabros com costuras diagonais malignas, digamos da guerra – tronga – e longa, entre aborrecidas e monótonas máquinas de escrever cibernéticas, na estação do «ninguém te provoca, nada te implica», ruído branco…
(……)

Generosos e sensatos foram os nossos bis, tetra-avôs e avós, quais nos ensinaram a manter uma calma resiliente, mesmo sob ventos devastadores e desgastantes guerras punitivas, etc,. Retribuamos agora o aceno, sob um ponto de vista de intolerantes aditivos, instáveis auditivos que apenas gesticulam enquanto tomam cachaça da forte ou café puro, juntos se este for da costa Arábica/Leste, saibamos que não controlamos as nossas emoções primárias quanto eles, estes nossos antepassados nobres, embora possuamos uma e a mesma raiz evolutiva, partilhemos uma génese gramatical bi-decimal e em decibéis audíveis, onde não consta qualquer referência a armas de fogo ou à “síndrome de tranquilidade da savana”, entretanto vou ordenar aos pistoleiros que se digladiem em combate fratricida, olho por olho, mano a mano contra a força gravitacional duma Terra previamente enterrada e convenientemente morta, absolutamente tranquila.

Assunto fechado, encerrado, finito, pois o gato preto macho residente, pede insistentemente que lhe descerre a porta de fora, talvez devido a alguma oportuna e preliminar dor intestinal ou na bexiga do “gatesco” felino a dar horas bem precisas, quando se acumula o chichi junto à próstata, como se fossem dados acumulados a dar de fora na cache do ordenador onde escrevo sem parar faz horas, sei lá, a respeito do estranho tempo que faz lá fora, sem que nos inflija cá dentro dessa terrível coisa que se chama viver, que a minha avó experimentava 24 horas por dia, quando estava viva e a vida era agradável de viver, constipada e fora de portas…

Passei do ponto em que passam a não ter conto os disparates em ponto cruz e chega a altura que começo a inventar símbolos pontuais, como saídos de Sinestesicos bolsos, saldos em formas anatómicas e autónomas de pensamento de infinitas ligações e sugestões quais ainda não havia chegado a vez de desocuparem as algibeiras do casaco, julgava eu cosidas em pospontos, mas já prontas a entrar em palco, e espreitando pela greta do pano de cena em Marron/Grená…(até já)

http://joel-matos.blogspot.com/
Joel Matos (Dez 2019)

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Patchwork…

 

Neo-Expressionism in Iranian Contemporary Art

Nunca senti tanta e tamanha antipatia
Pelo papel canelado e pelo patchwork
Consistente do plano, conservador
Este que transforma o bílis da vesícula

Em acto sentimental aos piedosos atrevidos,
Inspectores da mente pra quem tudo é quebrado,
Antigo, descrente descontinuado, carente sexual
Ou até mesmo dissidente quanto um sarcófago.

Se na vida pudesse crer-me existente e real,
Duvidaria que no mundo existisse vida assim,
Pois tive agora mesmo,
De rompante a sensação que não há lá fora nada,

Nada existe fora de mim que valha a pena ser vivido,
Por isso vivo por dentro o que posso viver sem mesmo,
Como se fosse eu o único ser vivo desse mundo sem vida,
Sem gente, que nem sei se existe ao certo,

Nem dentro de mim de peito aberto cabe,
Não creio nem é do meu credo, odeio
Acreditar pleno em nada, nem haver no mundo
Uma Paisagem tão árida, tão em ferida funda e frouxa,

Tão temida pelo vento, tão gélida e negra,
Quanto esta minha antipatia
Plana, mecânica quanto o papelão canelado,
Inexistente sem Patchwork.

Jorge Santos 01/2020
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Vivo do oficio das paixões

 

 

Vivo no ofício das paixões,

É ao entardecer que me julgo mais distante e pando,
Não há lá nem cá, nem cá estou, menos estou lá, sempre
Estou onde me penso mesmo, não por estar pensando,
Mas porque me lembro ao pensar, do que sei e sei sendo

Esse pensamento, como sendo de ninguém daqui, nem d’além
Tampouco, esse alguém que passou pra outro lado, passado,
Fumo, vantagem de uns poucos o pensar futuro, sentir nova
A quinta-dimensão, rápida a mudança de via interrupta para afiada,

Vêm visões sem conteúdo do outro lado, subvertidas,
Amotinadas, despenteadas eclusas de díspares destinos,
Anseio por instantes sem importância alguma, mas não
Que venham sentar-se comigo à terça, numa cadeira

Desdobrável, dessas de praia em verga, eu espetando alfinetes
De Vudu no entendimento, a função de todo o cabalista
É excluir tudo o que sabe para sentir que entender bem fundo
Sem ver o que está pra aquém e colide com o saber fundado,

A reclusão do conhecimento aprendido, como nos falaram
E que iria gerar um mundo novo, ornamentado a cores
De feira, vindo sentar-se ao domingo na missa, precisamente
Às nove e meia de um amanhecer que sempre seria brando,

Vivo na periferia de tudo isto e de tudo o que me liga
Ao real, vivo no oficio das paixões, gozo-as como se fosse
A transmutação de outro mundo em ouro com que se veste
A minha alma ou a inexistência dela, da razão de entardecer

Dos dias, os sentidos não só sentem, também entendem
O que afirmo e me excede apesar de apenas ver com o espírito
E ter perdido todos os outros sentidos, sinto-me medonho,
Como se fosse místico devoto a um Demogorgon da Babilónia.

Jorge Santos 12/2019
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Como morre um Rei de palha…

 

 

 

De futilidades e empatias tenho a aorta cheia,
Mas quando o céu morre e o frio se torna cinza,
Cai em mim um véu, que é mais magro que o cio
E do que o altar vazio – o mote de acabar o dia –

Se pudesse retiraria o coração amanhã e pela frente,
Para de repente, voltar a ser gente que nem fui,
Foi-me retirado pelas costas, por ironia e pela
Folha de um punhal estranho, de ferrolho velho,

Virei depois saldar as minhas dívidas de jogo,
Desde as bem maiores às mais mínimas,
Que a fé na sorte faz esquecer, Orixá me perdoe,
Pois nem outro vício tenho, jogo de manhã,

Até à calada da noite, amanhã cedo não haverá magia,
Nem nos reconhecermos, tampouco nos perceberemos,
Somos simples corações humanos, postumamente
Criados por um Senhor morto sem pressa,

Com a clarividência de um Sultão da Pérsia nado-morto,
Deposto pela simpatia de um fraco e gordo, inútil
Até ao sobrolho e sobre ele todo, disse-me que morrerei
Só, que é como morre um rei de palha, em pó…

Jorge Santos 12/2019
http://namastibetpoems.blogspot.com