Uncategorized

A desconstrução

A desconstrução

Deitemos por terra
O que nos fere, a mão
E o que nos ferra nos pulsos
E derrota, a miséria devota,

O singelo e o ignoto,
O endémico desalento,
O tempo é uma goiva, tábua rasa,
Desbasta e cinzela,

A Ingratidão alimenta
Esta sensibilidade hemorrágica, fera
E insana, assim a embriaguez
A insincera fama

É uma fábula e uma redoma
Em vidro, a savana
Do tigre, o perigo do ter e haver
Perdido o horizonte, fauna

O que persigo, me persegue sem eu ver
No mato e “o por matar”,
O predador e a presa,
A respeito da vitória,

Prefiro a derrota, tem mais beleza
Assim como no outono, as flores
Segundo os loucos, não me faz horror
A viúva realidade, suprema

A avidez extrema, a honra
Da arena e o ardor do sacrifício,
A dor, o crucifixo
Inútil, o cinismo cinzento

Da corda, a trama da veste,
O ardor do momento, o suicídio
Da borboleta-monarca no inverno
Quando chove, forte e sério, feio

O arrabalde, mordaz misticismo,
Nos sonhos dos outros,
Abstémios, paranoicos,
Secundários actores,

Partilhando impressões idênticas entre eles,
Tal e qual no parto, a ausência da dor,
Eu sou a frente de combate,
Do tombadilho do contramestre-

-À proa, o guerreiro da antiga Goa,
A má-fama, o infortúnio do escravo,
A essência vassala da Sulamita do Rei Zenão,
O Vândalo das opiniões,

O cego de Bratislava,
Antuérpia e a desconstrução,
O deitar por terra, a existência eterna,
o vogal e vulgar não…

Jorge Santos (04 Fevereiro 2021)

https://namastibet.wordpress.com

http://namastibetpoems.blogspot.com

Uncategorized

Deixemos descer à vala, o corpo que em vão nos deram

Deixemos descer à vala,
O corpo que nos deram,
Deixai-o ir, com as coisas
Que se quebram, reles, usuais

E os argumentos enterram-se,
Deixai-me sombrio, morrer na terra,
Como é natural, numa concha
Onde a areia se infiltra, na campa

Se entranha, velada estranha,
Igual toda a espécie humana,
Deixem-me descer comum à vala,
Ridículo, mesquinho, profano,

Infra-humano sem futuro,
Falso Profeta, obscuro e cigano
Réu d’minha própria fama,
Como manda a lei e a norma

Nada é nosso, nem o corpo,
Mas tem de haver alma,
O corpo é uma montra,
Fixo-me a ver se o vejo,

Fico-me por tudo isso, cinza
O que não tenho, o que era físico
Grotesco mundano, insignificante
Cor de sangue, excepto

O que não nos deram,
Me revela um absurdo que não sei explicar,
E uma maneira especial, invertida de
Mágoa, mudas criaturas me velam,

Ilógicas janelas estendem-se em silêncio
Sobre campos, enterrados
Órgãos humanos, fálicos olhos, órfãos
De mãe e pai, naturais os sonhos,

A razão e o conhecimento, o instinto
Não morrem, de modo algum se enterram,
Deixem meu corpo descer à vala, comum
Como os simples, donde jamais me erguerei

Em vão, de novo …

Jorge Santos (03 Fevereiro 2021)

https://namastibet.wordpress.com

http://namastibetpoems.blogspot.com

Uncategorized

Deixai-vos descer à vala,

Deixai-vos descer à vala,

Deixem descer à vala,
O corpo que vos deram,
Deixai-vos cair, como as coisas
Que se partem, reles, usuais

E os argumentos enterram-se,
Deixai-vos senhorios, morrer na terra,
Como é natural, numa concha
Onde a areia se infiltra, na campa

Se entranha, velada estranha,
Igual toda a espécie humana,
Deixem-se descer comuns à vala,
Ridículos, mesquinhos, profanos,

Infra-humanos sem futuro,
Falsos Profetas, obscuros e ciganos,
Réus d’sua própria fama,
Como manda lei, norma,

Nada é vosso, nem o corpo,
Mas tem de haver alma,
O corpo é uma montra,
Fixo-me a ver se a vejo,

Fico-me por tudo isso, cinza
O que não tenho, o que era físico
Grotesco mundano, insignificante
Cor de sangue, excepto

O que não vos deram,
Revela o absurdo e o que não se explica,
E uma maneira especial, invertida de
Mágoa, mudas criaturas se velam,

Ilógicas janelas estendem-se em silêncio
Sobre campos, enterrados
Órgãos humanos, fálicos olhos, órfãos
De mãe e pai, universais os sonhos,

A razão e o conhecimento, o instinto
Não morrem, de modo algum se enterram,
Deixem descer à vala o corpo, comum
Simples, profano, refugo, peste…

Joel Matos ( 3 Fevereiro 2021)

http://joel-matos.blogspot.com

https://namastibet.wordpress.com

http://namastibetpoems.blogspot.com

Uncategorized

Permaneço mudo

Permaneço mudo, sereno e distante dum muro de
Medos, o ouvido tísico, meus olhos cegos
E o espírito chão, o Cã da idade das Trevas,
Pedra já velha, gasta, procuro auxílio, remédio,

Conforto, sinto minhas, as lágrimas da esfinge
Disfarçam a saudade das madrugadas, intactas
As manhãs, ao beijar na terra, a luz não
Da lua, das damas da noite, magras, emboscadas

Ou dos fantasmas da morte, silvando vagas,
Longas pegadas preces, velozes corcéis,
Vozes de ascetas magos, cavaleiros do
Apocalipse, é o fim do sempre, inquietante,

E eu permaneço mudo no pó, no caminho,
Como se obtivesse do céu a réplica de um hino,
Ao meu instinto, à minha imperfeição de ver,
Ouvir, pensar certo, nobre abdico do meu valor,

Renuncio de mim próprio, a vida não me convém,
Não contenho nas lágrimas o sal, os mares de veludo,
Nem a casta, que eu desejaria chorar, por esta
Imensa erma, extinta Terra, gasta rocha, penedos

Negros, negros cabelos, a Berenice dada aos
Deuses, sugerindo no ocaso, o fogo dos Gregos,
S. Telmo e a carícia das paisagens ardendo,
Longínquas, trémulas damas, belas e brancas,

Cal, de animal vestidas, cornos chifres, dançam,
Devolvem ao campo o sémen, o corpo, como pedindo
Expiação para o luto, perdão para tudo isto,
O ouvido tísico, os olhos cegos e o espírito mouco.

Joel Matos ( 01 Fevereiro 2021)

http://joel-matos.blogspot.com

https://namastibet.wordpress.com

Uncategorized

 

Os Dias Nossos do Isolamento

Os Dias Nossos do Isolamento

Ainda desperto da noite mal dormida a pensar ser engano, um mau sonho ou a encenação brutal e global de uma série de horror da Netflix, “Walking Dead” ou outra bastante pior. Cada dia que acaba é mais e mais difícil, o suportar deste isolamento purgativo, de purgatório e acima de tudo o futuro, a incerteza, a falta de progresso e de promessa no que pode ainda estar para vir e virá a acontecer futuramente, se haverá e há de com certeza haver, um terceiro e quarto recolher obrigatários, aprendemos paulatinamente que tudo pode agravar-se, a ser pior do que já é, do que já foi.
Sou um rebelde por natureza, cultivei e sempre tive uma certeza, algures moldada na revolução de abril, suponho genética a minha rebeldia e insubordinação contra um sistema opressor, que era um facto genérico, teria, a meio da minha incomum vida, um inimigo comum a todos, maligno e contra o qual iria lutar sem tréguas. Para mim, combater o déspota, o fascista, fazia parte dos meus sonhos de criança e adolescente e eu dei, fui dando corpo a esse espírito rebelde e romântico dos Partisans, senti que iria lutar e lutaria pela pátria, pela liberdade se fizesse falta, faria amor barricado atrás das trincheiras, nos tijolos empilhados nas praças, desta ou de outras repúblicas, subiria audaz um estrado improvisado, às costas, nos ombros de outros camaradas e gritaria vitória, vitória ou morte. Sempre me pensei um Hemingway vindouro, nomeado, “pulitzer” do jornalismo de guerra, um revolucionário.
Nada disso ! nas idas ao supermercado sossego e sonego a minha agonia de anarquista triste, não vitorioso, um Trotsky não violento, afeiçoei-me ao rebanho da porta, atrás das grades e aguardo, como que unido a uma manjedoura, respondo à ração diária de alimento ungido por um sacerdote do destino, com uma mão na glande e outra na grade de segurança que me separa do alimento diário, do galinheiro e das galinhas, não penso muito e sujeito-me, que é o que abranda o desconforto do confinamento obrigatório, à comida, à subida do nível de diabetes, o colesterol e a tensão arterial, a falta de vontade de viver, de fazer exercício físico, de correr, à má qualidade da fruta e dos legumes que o meu bolso ainda aguenta, mas logo penso em todos aqueles que vivem nas cidades superpovoadas, em pequenos apartamentos, famílias inteiras, numerosas, partilhando uma sala de estar minimalista, têm de trabalhar “on line”, os dois sem vontade para isso ou para mostrarem algo que não seja indiferença e desamor numa relação tensa, cuidar de uma ou das várias crianças, pequenas e sempre pedindo por atenção ou a estudar e mais o gato e o cão ou cães rosnando, rogando por não sair fora de portas, cansados da voltinha diária, aborrecida e em redor do bairro, da trela presa, do açaime e da máscara de tristeza do dono por muito que ele sonhasse sorrir para a vizinha noutros tempos jeitosa, talvez até a anarquista que faria amor na trincheira, no meio da praça, outrora publica, junto aos fuzis, da revolução armada, aos barris, na barricada dos insurgentes e da granada.
A saturação do ar e das relações familiares, a promiscuidade, faz dos domicílios lugares ainda mais insalubres, tóxicos até, o inverno não atenua esse sofrimento de segunda e possivelmente terceira e quarta vaga, estarmos isolados por meses em moldes de cimento armado, moldados na nossa Augusta angústia, em quadrados e quartos brancos, a pouca luz dos dias propicia a melancolia e a tristeza, um modelo constante, predatório, pausado, sempre igual, de semanas e meses, de horas e minutos, os segundos entrando como farpas na nossa pele, dilacerando a autoestima de quem está impedido, sem poder, sem o deixarem ir ao trabalho e laborar, produzir, ganhar o sustento dele e da família e neste momento, sem conhecer o futuro, o incerto, a incerteza de como pagar as contas do supermercado, a factura da luz, da água, os detergentes, a conta do aquecimento e as propinas da faculdade dos filhos, o arrendamento da casa e de todas as outras primeiras, segundas e terceiras necessidades, para as quais não há, nem jamais haverá perdão nem confinamento, nem volta a dar por mais voltas que à sala eu dê, no dia a dia do nosso constante, severo isolamento profilático.
“O pão nosso de cada dia nos dai hoje”, “livrai-nos das nossas ofensas”, são falácia pré-fabricada, massa mal amassada e o pomo ou a maçã dos nossos pecados, criação versus discórdia, ninguém dá nada a ninguém, nem as mãos, nem a igreja é composta por santos, apenas manhosos pecadores, não assumidos aos sábados e domingos, dias de mercado de gado e até as opiniões são “à vontade do freguês ou a retalho”.
Se bem me lembro, sonhava-me um futuro Hemingway nomeado “pulitzer” do jornalismo de guerra, ou antes ainda, quando me imaginava graduado em revolucionário, tinha opiniões e aspirações tantas e diversas que não me conformo agora, não me ajusto de forma alguma, com a apatia pancreática e recente, talvez sinonimo de alguma velhice, esgotado nesta virulenta, violenta e vexatória forma de recolhimento compulsivo, predatória dos instintos mais básicos de sobrevivência, aliado ao ressurgimento de infames nacionalismos inflamados, movimentos retrógrados, regurgitados dos infernos e que advogam uma politização bastarda, descabida de uma pandemia, ignorando milhares, mesmo milhares de milhões de mortes, apenas para fruírem de algum destaque, de um panfleteiro dogma, semelhante ao “terrapalmismo” que nas redes sociais se espalham, procriam como ratos, espalham-se como a peste, por uma população semianalfabeta, carente de expressão critica, que se vê de um momento para o outro e a si mesma como protagonista e narrador, repentinamente na pele de “influencer” anónima, sem rosto, “you tubers”, alguns ainda imberbes crianças, com todo o terrível ónus desta nova estripe mental numa camada alarmada, deficiente de ideais e cultura, assustada, imbecil, a recita básica, o terreno próspero, fértil para uma temida, concomitante pandemia nacionalista, bera, perigosa que se aproxima.
Os dias do nosso entediamento… (..)

Jorge Santos (31 Janeiro 2021)

https://namastibet.wordpress.com

http://namastibetpoems.blogspot.com

Uncategorized

Gostar de estar vivo, dói!

Gostar de estar vivo, dói!
Para quem possua crença,
Assim como treze mais dois,

Ser dezasseis, talvez seja,
Penso eu, uma regra a dor,
A real, não a supérflua,

O estar vivo, versus um
Existir fictício, nominal,
Abstrato, o pânico do tísico

Viver sem sofrimento, morte
É distinto de medo, atrás
Da emoção, qualquer certeza

É delas, a fé é imortal mas
Acaba, quando não se sacia
O predador, a perda é plural,

O ideal é viver, de resto a pressa
É apenas ter vivido um xamã,
Revelando enfim um monge,

Embora sem credo, religião,
A questão é alcançar a uva chã,
Do escanção o mérito da prova,

A vindima tem época certa,
E o parto sem dor não jaz,
Perpetua a sensação terna,

Quanto as dores do parto,
Assim a vida, quando não dói,
Não vale a pena, contudo

Tem uma hora a meio, um véu,
Em que o destino é harmónico,
Bastardo em si e a um passo

De assustar o medo, a sevícia,
Evocando, de estar vivo a espera,
O cansaço e o abster da liça, a honra,

O distanciamento do muro, o asfalto,
O salvamento dum outro modo,
Não posso afiançar genuíno,

O louro ou o deslumbre do velho,
Podre o povo, a justiça, o gostar
De estar vivo dói e muitíssimo.

Jorge Santos (29 Janeiro 2021)

https://namastibet.wordpress.com

http://namastibetpoems.blogspot.com

Uncategorized

Apologia das coisas bizarras

Apologia das coisas bizarras

Devo um afável agradecimento a Dali e ao melómano amigo que me ajuda e obriga a repensar esta coisa magnífica, melomaníaca e dramática, que é escrever militantes bizarrices e compor toponímias em mapas gerais e cadastrais já conhecidos e mapeados interiormente por outros, para parecerem agora e doravante paisagens líquidas e diferentes, anómalas das normais apesar de geradas de uma mesma geratriz exponencial, eu mesmo .
Iniciei hoje, agora mesmo às dez da manhã em ponto, depois de ter ingerido o habitual, trivial e frugal pequeno almoço composto apenas de cereais, leite e mel, abri o computador, na internet, um estratégico tutorial de aulas experimentais sobre escrita criativa, privilegiei a inspiração, aliás o capítulo primeiro, o número “uno”, antes do “brainstorming” dos detalhes, da minúcia, a magia do inusitado das situações excêntricas que podem incutir, induzir mudança numa receita tradicional e alterar o gosto do insonso caldo verde comum que é o meu registo formatado, numa tentativa “gourmet” de fazer sorvete de cereja e banana, em vez da habitual e costumeira “Sericaia” conventual do Alentejo com ameixa no topo e doce ou adjetivação em excesso.
Nunca fui um natural arquiteto das palavras, inato como gostaria de ser, ou ter sido, como alguns outros, aspiro e respiro de uma intuição acelerada e de uma maneira bizarra, escrevo aquilo que não se pode comparar em competência e perfeição, a um tocador de harpa celestial, imortal como um Armstrong daqueles que me purificam e inspiram a ser como eles foram, nas palavras que nunca haverei de dizer ou proferir, digo-o por sua justiça e não com justificada justificação.
Geralmente surgem-me deles ideias jovens, equilibradas, sugerem-me muitas vezes coisas novas, ideias extravagantes, como quando estou correndo ou tomando banho, imprevistas e do nada, ocorrem-me por exemplo num fragmento de céu, num movimento de ramos, nalguma qualquer árvore da floresta, devolvendo ao vento a plenitude, nos gestos mais simples que a natureza consegue traduzir e produzir em nós, algo mais que simples sentimentos, um replicar de sinos, no meu caso , na minha pele , transformo-os em falas, flutuo, argumento com a própria consciência das flautas o facto e esqueço, o cansaço é uma forma de substancia benigna que me acompanha quando penso, no meio do esforço, da corrida no final do dia, fala mais forte quando todos os outros sentidos emudecem no corpo, ausentam-se deixando-me apenas algumas qualidades de ser humano funcional, assim como uma extensão da alma, uma antena ao deus pã, que não rejeita a captação dos sons mais estranhos, da plastia mais diversa na copa das arvores, na clareira das fábulas ou na água morna escorrendo pelo corpo quando tomo duche, nas extremidades nervosas do corpo, nos dedos das mãos, na revibração do planeta, quando quase morro de hipoxia e tento pôr em ordem as lembranças do ouvido, os sons da floresta, a plastia dos momentos a sós comigo mesmo.
Um amigo de alguma data, nestas coisa de escrita, afirma num magnífico texto, que adora genuinamente todos aqueles suficientemente pacientes para o lerem ainda, estou eu inda em dívida para com ele e com outros, pois o meu contributo é escasso e todavia mais fraco, frágil e eclipsado por grande parte ou na totalidade por eles mesmos, os que leio e donde retiro os “movimentos” e momentos com que me “saro” aos poucos, de qualquer barulho externo, qualquer “encalho”, de forma a parecer enigmático, geométrico e equilibrado, magnífico ou apenas atraente, diferente e não uma cópia condenada, condensada e apenas, daqueles que alcançam como eles, nas estrelas, o brilho, a subtileza altruísta das coisas belas, etéreas, singulares e plenas neste, “blue marble, dwarf planet Earth ”.
Jamais pretendi ser no que digo, o fidalgo, o debutante embrião, nem a aproximação ao irrepreensível, ao real, mais o abstrato abstracionista, o observacionista grisalho, o absoluto remate de um dos arredores mais sinápticos das artes, uma gargalhada simpática do homem da lua, não ocupa espaço terreno nem oculta totalmente o astro, vibram a zona da língua, os beiços, próximos à minha boca e é assim que me exprimo, quase como um bocejo em conclusão do que digo, um gracejo, um boneco animado o que é suposto eu afirmar, contruir por vocábulos sem encarte, afinco ou volúpia, arte de abolicionista célico, sensível à verdade absoluta do belo e à que importa.
Há a insinuada sensação de não existimos de verdade, nem termos a personalidade que pensamos e com que nascemos, quando decorre o acto ímpio e criativo e é suposto continuarmos a ter, possuir, e é lactente, não sendo esquizofrenia nem febre, é de facto consciência eólica na extensão periférica do espírito, nas pás dos moinhos de vento, nós os “Don Quijotes” investindo das planícies em riste, de lança e espada, o Dali de Fibonacci.
O nosso trono é o mundo, estou sentado no trono do mundo, não há dúvida, quando repensamos a natureza da esfera terrestre, é um universo completo, um ovo multicomplexo, novo e excêntrico que geramos, contruímos a partir deste tão antigo, arcaico à superfície, lugar que a luz toca, renova, quanto internamente, onde os mistérios são tão ocultos da realidade quanto que para quem ouve, os profetas videntes, aqueles que nossa voz roça, passa por farol, a luz do impulso, serve a nossa insurgente alma para guiar ao que importa, o espírito das gentes, ao frémito, ao toque nítido, absoluto, quem sabe à maior aspiração terrena, sermos todos realmente profetas do mundo real, reis de tudo quanto existe e do esforço para obter e ganhar, seja a arte absoluta de que falo, absolutamente arte pura, a que fala de nós para nós outros e o que importa, a apologia das coisas vivas e das bizarras coisas da vida eterna, senão houver outra mais longa que ela, aqui ou na Terra das coisas severas, o tempo.

J

Jorge Santos (28 Janeiro 2021)

https://namastibet.wordpress.com

http://namastibetpoems.blogspot.com

Uncategorized

Meus sonhos são “de acordo” ao sonhado,

Meus sonhos são “de acordo”, ao sonhado,
Deixei de ser tudo o que queria vir a ser, sonhando,
Fui sempre o que tentava e acontecia, o que
Fazia, o afoito, o herói para quem tudo é fácil,

Faltou-me apenas aquilo que esperava sonhar,
Fazer e o que não farei, nem está feito, sonhados,
Meus sonhos são rigorosamente de acordo o que o
Sonhado traz consigo, o que conduziu

Aos sonhos que tive, deixei de ter o sonho rico,
Expectável, o apetecível futuro dum monarca
Passado, na actualidade, sincero, real,
Preso a mim como um trunfo, um triunfo,

O objectivo principal da minha vida, foi
Sempre, não é de agora, o de alinhar
Hierarquicamente os acontecimentos,
Ao lado das ambições, foi aí que entendi

Que a dimensão não era a mesma, faltava
Tempo e a demora, a harmonia também
Tem peso, asa, assim como o recordar ter efeito,
Em proporções evangélica, na inclinação da

Cabeça, é um acto de humildade expresso,
Face ao que seria lembrar o que viria a ser
Se fosse feito anteontem manhã, ind’agora
Cedo, assim como o perdurar do que sinto

Face ao que tento vir a sentir faz tempo,
Por mim eu deveria ser, não o acto, mas o desejo,
O actor absoluto e não o contrapeso da emoção,
O palco do que terei de vir a ser, o risco expressivo

Produz em mim um sentimento dúctil, fóssil,
Muito próximo do acontecido que queria
Viesse a acontecer, se tivesse espetado os
Ombros para a frente do corpo e por cima

Do mesmo, fazia-me sentir que queria eu ser
“De acordo” o sonhado, sonhando eu acordo,
Acordado sonho-me dormindo.

Joel Matos (27 Janeiro 2021)

https://namastibet.wordpress.com

http://namastibetpoems.blogspot.com

http://joel-matos.blogspot.com

Uncategorized

A tenaz negação do eu,

A tenaz negação do eu,

Ideias ou acaso, avulso e acidentais
Como um vaso cheio meio de barro,
Que se vaza, sem forma pensada, insurreição
Ou o avesso, a ideia elevada de verdade

Sem que se altere a série de curtas noções,
E o que está dentro, génio, intuição
Ou simples tensão de conteúdo, colorida
De forças apostas, alívio das margens

Num vitral ou antagonismo apoiado
Em máculas, aos poiais da opinião
Dos outros, espécie de iluminura derrotada,
De asas podadas e da espessura do magma,

A tenaz negação do eu, alienada
Fruta que não matura, cai protagonizando
O invés ou apodrece na serenidade
Da árvore, o ácido e a acidez do vómito,

E ao mesmo tempo, num mesmo placebo,
Os vícios inaturais da pera, dura e impulsiva
A “ilucidez” da conversa comigo mesmo,
O futuro torturando o presente,

Tão falso é, o suposto ser “a sério”,
De verdade, pobre infeliz sou eu,
Que me surpreendo a ocupar espaço,
A concorrer com a existência livre,

Se me sinto, nulo, estéril, plano
Como atmosfera, liso e sem personalidade,
Incerto de tudo, da fórmula orgânica,
Para me transpor do interior das córneas,

Com a força íntima da garganta, acidental
O incesto com o absurdo, eu próprio
Bastardo do negado indulto, obrigando-me
A ler nos próprios lábios, ideias ao acaso

E avulso, a auto negação do eu …

Joel Matos ( 25 Janeiro 2021)

http://joel-matos.blogspot.com

https://namastibet.wordpress.com

http://namastibetpoems.blogspot.com

Uncategorized

Tiras-me as palavras da boca

Tiras-me palavras da boca
Com alfinetes de dama, agulhas finas,
Tenho a maldita certeza e é
Como se estivesse vendo, sair
Uma a uma, sinuosas lentas, dançam

Numa espécie de bailado cósmico, dóceis
No movimento, confortam-me, deslocam-
-se, vejo-as cruzar a alma, adiante do
Meu fôlego, nas coisas que digo, faço,
Falam por mim e de mim falam, clamam

Eloquentes, nem necessidade
De existência viva, sonhos são
E sempre, passagem para outras
Vidas existentes, inexplicáveis
Pra gente,- arquitetos com corpo-,

Se eu pudesse explicar o que vejo,
Saindo da minha boca, talvez fosse
Como ouvires música vinda de outras
Dimensões e a mesma emoção bem-vinda,
Sensação de Terra, externa ao ouvido,

Tiras-me palavras da boca, sonhos
Inesperados na primeira fila, fábulas
Depois absurdas falas, ilícitas, caídas no chão,
No fim retiras visíveis imagens,
Que me convenci saírem de mim,

Mas não, sou eu de mim partindo
Trespassado a alfinetes, toda a voz tem
Um fio, o fim é quem me ouve claro,
Exterior ao ouvido, uma a uma
As palavras que retiro da boca, sonhos

Enfim ausentes do corpo físico,
Outros mundos a roçar por mim e eu todo,
Espécie alguma viva tem destes sonhos
Em que nada pesa, tudo balança
Sinuoso e lento, alheias e nem tanto,

Tiras-me da boca as palavras, nem todas,
A impureza é uma casta e o meu solo
Fértil, na boca faço asilo, das palavras
Mais fétidas às que desobedecem e têm
Severo castigo fora deste covil de asceta …

Joel Matos ( 23 Janeiro 2021)

http://joel-matos.blogspot.com

https://namastibet.wordpress.com

http://namastibetpoems.blogspot.com