Encalho,agacho,acobardo…

Sou consciente do que penso e procuro,
-Procuro-me tão-somente,
No conhecimento, mas inconsciente
D’o não haver, onde tanto o procuro,

 
Ainda que houvesse, um farol faroleiro
Do sentir do meu pensamento,
O afastaria de mim, estaria oculto
Quanto, sob intenso nevoeiro…

 
Pensar…pensar tão-só, quanto o pensar
Mente e se encobre, n’algum ser ou coisa
Inconsciente, como pensar que nem se pensa,
Embora seja ela, a causadora aparente do pensar.

 
Sou consciente de que procuro,
Um inédito conceito do real, ainda por pensar,
Porque sem o peso da memória, não terei logradouro,
Nem este vil cais, me irá ver morto, embarcar.

 
Talvez como eu, seja aquela puta, sem opção,
De bar em bar, repartindo o cadáver morto,
Mas sonhando-se prenha, d’algum Nobel da ficção,
Que a penetrou fundo, por um gol d’absinto.

 
Sou ciente do pensar que procuro,
Ser mais venal, que o comum pecado,
Mais impuro, que o despudor, em estado puro,
Mas num mar de bruma m’encalho, agacho, acobardo…

(E Morro)
 
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