O dia em que decidi que quero morrer

O dia em que decidi morrer

 

Hoje decidi que quero morrer,

Curioso é nunca ter pensado antes nisso,

Mas a vida tornou-se uma sala de estar, sem cor

E o privilégio que dela se deve possuir, não o sinto.

 

Tenho na alma uma sensação de descompromisso,

Como se viver fosse o corredor da morte e o estar preso

E pra’lém disso, tudo fosse sossego e calma,

Mutilantes as lembranças acaso cortassem.,

 

Os crepúsculos, (essência distante

Do que ficou para trás), não passam disso, ilusões…

O vazio constante que se acumula, onisciente,

Ingrato, incógnito, que faz desistir o querer.

 

Sim, só hoje decidi que quero morrer,

Por isso falo com saudade dos céus roxos,

Da sala estreita, onde vago, meu lirismo

Vagueia, cheio do que pode fazer lembrar, o doer.

 

Quantas vezes o sol-se-pôr no meu sonhar veio,

Quantas vezes comecei um sonhar p’lo meio,

Quantas vezes convenci a consciência que era tudo real

Por isso hoje decidi morrer de morte natural.

 

 

Jorge Santos (01/2013)

http://joel-matos.blogspot.com

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